Reflexões sobre ‘O Agente Secreto’: Um Retrato do Brasil Atual
Essa semana, durante minhas férias na linda Bahia, mais precisamente em Salvador, tive a chance de finalmente ver e refletir sobre um dos maiores sucessos do cinema nacional até hoje: ‘O Agente Secreto’. Cheguei a me preparar para uma possível decepção, mas, para minha surpresa, o filme superou minhas expectativas. A última vez que me arrisquei a opinar sobre um filme que tinha quase uma unanimidade no cinema brasileiro e que também concorria ao Oscar foi há mais de 20 anos, quando escrevi sobre o icônico ‘Central do Brasil’. Naquela época, critiquei a falta de representatividade, mencionando que mesmo um caminhão de retirantes que passava ao fundo não apresentava personagens negros em sua boleia.
O filme ‘Ainda Estou Aqui’ trouxe alguma melhora nesse aspecto, mas nada comparado ao que vi em ‘O Agente Secreto’. A diversidade de raça, gênero, idade, deficiência e até etarismo salta aos olhos, proporcionando uma visão visceral do Brasil real, nu e cru, durante os anos 70, época da ditadura militar, cujas raízes ainda influenciam a violência policial que enfrentamos nos dias de hoje.