Eisenkot, rival de Netanyahu, enfrenta desafio para formar governo; entenda

Os Desafios de Gadi Eisenkot para Formar um Governo em Israel

Recentemente, Gadi Eisenkot, que já foi chefe das Forças Armadas de Israel, se viu diante de uma nova e importante missão: tentar formar um governo após as eleições que, de certa forma, não trouxeram um resultado conclusivo. O atual primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, permanece no poder, e a situação política se torna cada vez mais complicada. No último sábado, um porta-voz do presidente Isaac Herzog anunciou o convite a Eisenkot para essa delicada tarefa.

Porém, a realidade é que Eisenkot não possui uma maioria clara nas cadeiras do parlamento, o que o coloca em uma posição bem difícil. Portanto, vamos explorar alguns cenários que ele pode considerar para conseguir formar um governo e as dificuldades que ele pode enfrentar nesse processo.

Governo Minoritário

Uma das opções que Eisenkot pode considerar é a formação de um governo minoritário com seus aliados naturais do partido Yashar, que inclui Os Democratas e Israel Nossa Casa. Uma estratégia que poderia envolver o apoio dos partidos árabes de Israel, como Ra’am e a Lista Conjunta, mesmo que esses partidos não façam parte oficialmente da coalizão. Essa combinação poderia resultar em um total de 48 assentos, e somando com os 19 assentos dos partidos árabes, ele teria um apoio de 67 assentos dos 120 disponíveis no parlamento.

No entanto, essa opção não é simples. A ideia de incluir partidos árabes em um governo é bastante polêmica e, após os recentes ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023, as atitudes da população israelense em relação à minoria árabe se tornaram ainda mais críticas. Isso pode dificultar a aceitação dessa estratégia, pois muitos cidadãos estão relutantes em aceitar a participação árabe na política.

Além disso, o partido Israel Nossa Casa, liderado pelo direitista Avigdor Lieberman, já descartou a possibilidade de um governo minoritário com apoio árabe, o que complica ainda mais as opções de Eisenkot. Enquanto isso, Netanyahu continua a deslegitimar esse apoio, criando um ambiente hostil para essa aliança.

Aliança com Partidos Ultraortodoxos

Outra possibilidade seria formar uma aliança com os dois partidos ultraortodoxos de Israel, que juntos possuem 13 cadeiras. Isso poderia dar a Eisenkot uma maioria de 61 assentos, facilitando assim a formação de um governo. Contudo, historicamente, esses partidos costumam ser aliados do Likud de Netanyahu, o que torna essa aproximação complexa.

Para que isso aconteça, haveria a necessidade de um consenso sobre as isenções de serviço militar que são tradicionalmente oferecidas aos seminaristas ultraortodoxos. Essa questão gera indignação entre muitos israelenses que veem isso como um tratamento desigual em relação àqueles que cumprem o serviço militar. Eisenkot e seus aliados, especialmente Lieberman, já criticaram essa prática, mas Lieberman também demonstrou uma certa flexibilidade ao afirmar que está aberto a discutir um acordo sobre o assunto.

Um Governo Unificado?

Uma terceira opção que poderia ser considerada é a formação de um governo de unidade com o Likud de Netanyahu, que se destacou como o maior partido nas eleições. Essa aliança, que incluiria o partido Yashar, Juntos e Israel Nossa Casa, poderia resultar em 67 assentos, garantindo a maioria no parlamento. No entanto, essa alternativa parece distante, pois Eisenkot e seus parceiros teriam que abrir mão de sua principal promessa de campanha, que era destituir Netanyahu.

Além disso, isso exigiria que Netanyahu se separasse de seus aliados naturais, que são partidos de extrema-direita e ultraortodoxos, o que é uma tarefa difícil. Apesar de tudo, em caso de um impasse prolongado nas negociações, essa opção poderia se tornar uma saída viável, especialmente em um cenário onde os conflitos com o Irã possam exigir uma frente unida.

Possibilidade de Novas Eleições

Se Eisenkot não tiver sucesso em formar um governo, Netanyahu pode ter uma nova chance. Com a bancada nacionalista-religiosa de Netanyahu caindo de 64 para 53 cadeiras, ele ainda pode tentar dividir a oposição, atraindo membros para seu lado, uma estratégia que já funcionou antes. Caso ambos falhem, o parlamento poderá indicar outro candidato, e se ninguém conseguir formar um governo, novas eleições poderão ser convocadas.

O presidente Isaac Herzog já expressou a necessidade de evitar novas eleições e instou todos os partidos a participarem do processo de formação de governo com uma mente aberta. As próximas semanas serão cruciais para determinar o futuro político de Israel e a possibilidade de um novo governo sob a liderança de Eisenkot ou a continuidade de Netanyahu.

Com prazos de até 42 dias para formar um governo, a pressão é alta e as negociações serão intensas. A política em Israel é notoriamente complicada e cheia de nuances, e apenas o tempo dirá como essa situação se desenrolará.



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