Megaoperação no RJ: munição usada pelo CV teria sido desviada no mesmo ano

Megaoperação Completa Um Ano: Revelações Sobre Munições e Confrontos no Rio de Janeiro

Um levantamento feito pelo Instituto Sou da Paz trouxe à tona dados preocupantes sobre as munições apreendidas durante uma megaoperação nos complexos da Penha e do Alemão. Essa operação, que completa um ano nesta quarta-feira, dia 28 de setembro, resultou na apreensão de 425 munições que, segundo a análise, foram fabricadas em 2025, o mesmo ano em que a ação policial ocorreu. Isso representa cerca de 46,8% dos 909 cartuchos nacionais entre as 1.073 munições analisadas.

Esses números, que são bastante significativos, levantam questões sobre o desvio de munições que podem ter ido parar nas mãos de facções criminosas. Os dados coletados pela reportagem da CNN Brasil revelam que 84,7% do material apreendido tinha origem nacional. Embora a data de fabricação não forneça um quadro claro sobre como ou quando os cartuchos foram desviados, ela sinaliza a presença de munições que foram produzidas no ano da operação.

Apreensões e Armas

Além das munições, a operação resultou na apreensão de 120 armas de fogo, conforme a recontagem feita pela Polícia Civil. O arsenal encontrado incluía um grande número de fuzis, pistolas, um revólver e até mesmo artefatos explosivos, como granadas. O valor total do material apreendido foi estimado em mais de R$ 12 milhões, o que demonstra a magnitude dessa operação.

Um Ano da Operação Contenção

A Operação Contenção, considerada uma das mais letais da história do estado do Rio de Janeiro, também é alvo de uma investigação por parte do MPRJ (Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro). O objetivo é esclarecer as circunstâncias das 122 mortes que ocorreram durante os confrontos nos complexos do Alemão e da Penha. Desde o início das investigações, já foram feitas 12 denúncias contra 28 policiais militares, envolvendo crimes como furto, violação de domicílio e até mesmo constrangimento ilegal de moradores.

Investigação em Andamento

Além das denúncias, o MPRJ está conduzindo um Procedimento Investigatório Criminal (PIC) para apurar as mortes ocorridas durante a operação. O promotor de Justiça Fabio Corrêa, coordenador do GAESP, afirmou que a investigação inclui depoimentos de policiais envolvidos e familiares das vítimas, além da análise de mais de quatro mil horas de gravações de câmeras operacionais e laudos médicos.

Desafios e Obstáculos

Recentemente, representantes da Human Rights Watch (HRW) se reuniram com o MPRJ para discutir um relatório sobre a operação, que será considerado nas investigações. O diretor da HRW no Brasil, César Muñoz, reconheceu o esforço do Ministério Público para esclarecer as mortes, mas também destacou os desafios enfrentados, como problemas com o uso das câmeras pelos agentes de segurança.

Os investigadores do GAESP identificaram falhas nos equipamentos, como ausência de câmeras, baterias descarregadas e questões na distribuição das câmeras. Em março de 2026, o procurador-geral de Justiça, Antonio José Campos Moreira, fez recomendações às secretarias de Polícia Militar e Civil para melhorar o uso desses dispositivos. Algumas dessas recomendações já começaram a ser colocadas em prática.

Conclusão

O Ministério Público afirma que a apuração da operação segue as diretrizes do STF, conforme a ADPF 635, que trata de medidas de segurança pública no Rio de Janeiro. Contudo, o órgão também ressalta a dificuldade de acesso imediato aos locais dos confrontos devido a questões de segurança, além do fato de que alguns agentes envolvidos não estavam utilizando as câmeras operacionais.

Esses desdobramentos e investigações são fundamentais para esclarecer a realidade dos confrontos e as responsabilidades individuais, tanto dos policiais quanto dos membros da facção criminosa. A sociedade aguarda respostas e medidas efetivas para que eventos trágicos como esses não voltem a ocorrer.



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