Por que certas doenças ganham nomes de pessoas? Entenda a origem e as implicações
Você já parou para pensar na origem dos nomes de algumas doenças? É um tema interessante, e muitos de nós talvez não tenhamos refletido sobre isso. A tireoidite autoimune crônica, por exemplo, é mais conhecida como síndrome de Hashimoto. Essa condição afeta pessoas ao redor do mundo, inclusive celebridades como Lexa e Cleo Pires. Mas o que muitos não sabem é que o nome de várias doenças é atribuído a pacientes ou médicos que as identificaram. No entanto, essa prática vem gerando controvérsias.
De onde vem o nome da síndrome de Hashimoto?
A tireoidite de Hashimoto, por exemplo, é um caso clássico. O nome vem do cirurgião japonês Hakaru Hashimoto, que descreveu a doença pela primeira vez em um artigo de 1912. O estudo foi publicado no periódico alemão Archiv für Klinische Chirurgie. Essa condição atinge a glândula tireoide, que é responsável por produzir hormônios essenciais para o nosso corpo, e pode resultar em hipotireoidismo se não for tratada adequadamente.
O caso da doença de Creutzfeldt-Jakob
Outro exemplo é a doença de Creutzfeldt-Jakob, uma condição neurodegenerativa. O nome homenageia dois médicos que contribuíram para a sua descrição. Hans Gerhard Creutzfeldt, em 1920, relatou uma “doença peculiar” no sistema nervoso central. Logo depois, Alfons Maria Jakob identificou casos semelhantes. Walther Spielmeyer, um terceiro especialista, sugeriu a junção dos nomes Creutzfeldt e Jakob. Porém, essa não é uma unanimidade entre os cientistas. Alguns defendem que o nome deveria ser invertido, dando mais crédito a Jakob.
Estigmas e suas implicações
Um dos nomes que gerou mais controvérsia é a “síndrome de Down”. Essa condição, relacionada à trissomia do cromossomo 21, foi descrita em 1866 pelo médico britânico John Langdon Down. Em seu artigo, ele fez uma comparação entre as características físicas das pessoas com a trissomia e o grupo étnico mongol. Essa associação levou ao uso do termo “mongolismo” para se referir à condição. Somente em 1951, após uma mobilização internacional, o nome foi alterado para síndrome de Down, um movimento que contou com o apoio até do neto de Down, Norman.
Contudo, o estigma que associa a condição a uma suposta inferioridade racial ainda persiste. Além de impactar as pessoas com a trissomia, também afeta os membros da etnia mongol. Para evitar esses preconceitos, a Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a recomendar o uso do termo “trissomia do cromossomo 21”.
Doença de Lou Gehrig: uma exceção?
Um caso raro em que uma doença recebeu o nome de um paciente é a esclerose lateral amiotrófica, também conhecida como doença de Lou Gehrig. O famoso jogador de beisebol foi diagnosticado com a condição em 1939. Durante sua luta contra a doença, ele ajudou a aumentar a conscientização sobre a esclerose, mas infelizmente faleceu dois anos depois. Essa é uma das raras ocasiões em que a nomeação homenageia um paciente e não um médico.
A mudança de abordagem da OMS
Recentemente, a OMS se manifestou contra a prática de nomear doenças em homenagem a pessoas. Em 2015, foi publicado um guia que desencoraja o uso de nomes de indivíduos, localizações geográficas e até mesmo de animais. O objetivo é evitar estigmas e preconceitos. Como mencionado pelo então diretor-assistente-geral de Segurança da Saúde, “vimos nomes de doenças causarem danos a membros de determinadas religiões ou etnias”.
Conclusão
Portanto, as origens dos nomes de doenças são muitas vezes complexas e carregadas de significado. A mudança nas práticas de nomenclatura proposta pela OMS é um passo importante para evitar discriminações e preconceitos. Afinal, uma doença não deveria ter o poder de criar barreiras ou estigmas sociais. O que deve prevalecer é a compreensão e o respeito por aqueles que lidam com essas condições diariamente.
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