Filmes ambientados em Nova York nunca mais foram os mesmos depois do 11/9

Como o 11 de Setembro Transformou ‘Homens de Preto II’ e a Indústria Cinematográfica

Em 11 de setembro de 2001, Barry Sonnenfeld, o diretor de “Homens de Preto II”, estava em um dos estúdios da Sony, na ensolarada Los Angeles, quando a tragédia começou a se desenrolar. O impacto dos aviões nas Torres Gêmeas deixou o mundo em choque e, enquanto tentava entender a gravidade do que estava acontecendo, Sonnenfeld também se preocupava com amigos e familiares, especialmente porque sua filha morava perto de Chinatown, em Nova York. Era uma situação delicada e angustiante.

A produção de “Homens de Preto II”, a sequência do sucesso de 1997 protagonizado por Will Smith, estava em pleno andamento. Sonnenfeld descreveu o filme como uma “carta de amor a Nova York”, e a escolha de filmar na cidade em meio ao verão de 2001 parecia perfeita. No entanto, o ataque mudaria completamente o curso de sua obra.

A Mudança de Planos

Ao assistir as cenas caóticas pela televisão, Sonnenfeld começou a refletir sobre a cena final de seu filme. Originalmente, a climática batalha entre os agentes K e J, interpretados por Tommy Lee Jones e Will Smith, deveria ocorrer no topo de uma das Torres Gêmeas. A ideia era que eles enfrentariam um alienígena e usariam o espaço da torre para enviar uma princesa espacial, vivida por Rosario Dawson, de volta ao seu lar. Mas, com a destruição das torres, essa opção deixou de existir.

“Escolhi o World Trade Center de propósito porque elas quase pareciam um ímã”, disse Sonnenfeld, lembrando-se do momento em que percebeu que a cena deveria ser mudada. “Assim que a primeira caiu, eu soube.”

Os impactos do ataque não pararam por aí. O setor de entretenimento como um todo teve que se adaptar rapidamente a uma nova realidade. Filmes e séries que antes mostravam as Torres Gêmeas, como “Friends” e “Sex and the City”, tiveram que ser reeditados ou tiveram cenas removidas. As torres, que eram um símbolo da cidade e da cultura americana, tornaram-se um lembrete doloroso de uma tragédia que transformou o mundo.

A Reescrita do Roteiro

Durante os meses seguintes ao ataque, Sonnenfeld se viu em uma situação complicada. Ele e sua equipe precisaram reformular o clímax do filme. Embora a cena final ainda acontecesse em um telhado, agora seria em um prédio genérico e não mais nas icônicas torres. Eles tentaram reaproveitar os storyboards já criados, mas a essência da cena foi definitivamente alterada.

  • As Torres Gêmeas foram removidas de 8 a 12 cenas ao longo do filme.
  • O novo final foi algo que Sonnenfeld não considerou satisfatório: “Nunca funcionou”, disse ele.
  • A sensação de conclusão da produção foi ofuscada pelo luto coletivo que permeava o país.

“Era tudo um plano e fazia parte do ‘folclore’ de MIB”, disse ele, refletindo sobre como o primeiro “Homens de Preto” terminou em outro local icônico de Nova York. Contudo, com a perda das torres, o filme se tornara um produto de uma época que havia mudado drasticamente.

Um Legado de Tristeza

Na visão de Sonnenfeld, a realização de “Homens de Preto II” foi marcada por um sentimento de tristeza. “Eu detestei fazer ‘Homens de Preto II’”, afirmou ele, enfatizando que ninguém queria se lembrar daquela produção. O impacto emocional do 11 de setembro foi tão profundo que se refletiu na indústria do entretenimento, e muitos cineastas se sentiram constrangidos em continuar com projetos que envolviam as torres.

Por fim, Sonnenfeld concluiu: “A nossa foi uma tristeza pequena comparada à grande tristeza”. É um lembrete do quanto os eventos trágicos podem moldar não só a vida das pessoas, mas também a arte e a cultura que consumimos.



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