Dark Horse: perícia diz que mais de 70% dos recursos foram gastos nos EUA

Os Bastidores Financeiros de Dark Horse: O Que a Perícia Revela?

Recentemente, veio à tona uma análise detalhada sobre os gastos do filme Dark Horse, uma produção da Go Up Entertainment, que gerou bastante polêmica. O laudo da perícia, que foi contratado pela produtora, indica que dos R$ 75 milhões investidos na realização desse longa, mais de R$ 54 milhões foram gastos nos Estados Unidos. Isso representa impressionantes 72% do custo total da obra, enquanto no Brasil, os gastos somaram apenas R$ 20,92 milhões.

Os Detalhes do Relatório

Esse relatório foi entregue à Polícia Civil de São Paulo em junho deste ano, no âmbito de um inquérito que investiga o financiamento do filme. Curiosamente, o documento aponta que todos os recursos para a produção vieram da Havengate Development Fund LP, mas não revela quem são os investidores por trás desse fundo.

De acordo com as informações divulgadas pelo jornal O Globo e confirmadas pela CNN Brasil, os gastos nos Estados Unidos incluem US$ 383,1 mil para o desenvolvimento do projeto, US$ 2,66 milhões para a pré-produção, US$ 1,97 milhão durante as filmagens, e US$ 1,95 milhão na pós-produção, entre outras despesas que compõem o orçamento da produção.

Ligação com o Instituto Conhecer Brasil

Um aspecto que chamou a atenção da Polícia Civil foi a possível conexão entre os recursos do filme e o Instituto Conhecer Brasil, uma ONG que firmou um contrato com a Prefeitura de São Paulo para instalar pontos de Wi-Fi em comunidades carentes da capital. Essa ONG é ligada a Karina Ferreira da Gama, que é a proprietária da Go Up Entertainment.

No entanto, Anisio Castelo Branco, o perito contratado, afirmou à CNN que não encontrou evidências de transferências de recursos entre a produção do filme e os projetos públicos do Instituto. “A movimentação do filme ocorre em uma conta exclusiva para a finalidade da obra. Não existe nenhum pagamento relacionado a projetos públicos”, declarou.

Investigação da Polícia Federal

Em um desdobramento significativo, no início de junho, a Polícia Federal iniciou uma operação para investigar se o contrato firmado pelo Instituto Conhecer Brasil com a prefeitura foi cumprido corretamente, se houve licitação adequada e se os recursos foram direcionados a outras entidades ligadas a Karina. Isso aumentou ainda mais as especulações sobre a correta utilização dos fundos.

Karina teve que apresentar relatórios financeiros detalhados, que mostraram as receitas e despesas das entidades que gerencia. Além disso, o inquérito busca rastrear cerca de R$ 61 milhões que supostamente foram repassados pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o longa, avaliando se houve alguma irregularidade nos pagamentos ou ligações com o pré-candidato ao Planalto, Flávio Bolsonaro (PL).

Movimentação Financeira e Pix

Um ponto interessante que o laudo trouxe à tona foi a forma como os pagamentos foram realizados. Dos R$ 20,92 milhões movimentados no Brasil, cerca de R$ 18,47 milhões, o que representa 88,29%, foram feitos via Pix, enquanto apenas R$ 2,34 milhões foram pagos por boleto. Essa informação mostra como a tecnologia tem influenciado até mesmo o setor cinematográfico.

Despesas de Produção

Além disso, o laudo indicou que os gastos no Brasil envolveram uma equipe composta por 11 atores americanos, mais de 800 figurantes e cerca de 350 profissionais que trabalharam durante dois meses de filmagens. As despesas incluíram desde a contratação de elenco e figurantes até locação de equipamentos de filmagem, cenografia, figurino, efeitos especiais, passagens aéreas, hospedagem, alimentação, e até segurança privada.

Todo esse contexto levanta questões importantes sobre a transparência e a responsabilidade no uso de recursos, especialmente em projetos que envolvem o interesse público. O que mais será descoberto à medida que as investigações avançam? O inquérito ainda tramita sob sigilo, mas a expectativa é de que mais informações venham à tona em breve.

Conclusão

Com tantas informações e um cenário complexo, fica evidente que a produção de Dark Horse não é apenas uma questão de entretenimento, mas envolve uma teia de relações financeiras que merece ser investigada a fundo. Vamos aguardar as próximas movimentações desse caso intrigante que envolvem cinema, finanças e política.



Recomendamos