Morre Lúcia Viveiros, 1º mulher a presidir sessões da Câmara, aos 91 anos

A Legado de Lúcia Viveiros: A Primeira Mulher Deputada Federal do Pará

Na última terça-feira, dia 11, o Brasil perdeu uma de suas figuras mais emblemáticas na política, Lúcia Viveiros, aos 91 anos. Lúcia não foi apenas uma mulher que ocupou uma cadeira na Câmara dos Deputados, mas sim um verdadeiro símbolo de luta e resistência pelos direitos das mulheres, especialmente na década de 1980, um período em que a presença feminina na política era quase inexistente. Sua trajetória começou em 1979, quando ela se tornou a primeira mulher eleita deputada federal pelo Pará, um marco que reverberou ao longo das décadas.

Uma Trajetória de Pioneirismo

De acordo com a biografia disponibilizada no portal da Câmara, Lúcia também fez história ao ser a primeira mulher a presidir sessões na Casa. Eleita pelo MDB (Movimento Democrático Brasileiro) em 1979 e pelo extinto PDS (Partido Democrático Social) em 1983, sua presença foi fundamental para abrir os caminhos para outras mulheres na política. Um dos momentos mais marcantes de sua carreira foi em 1984, quando votou a favor da emenda Dante de Oliveira, que propunha a volta das eleições diretas para a presidência. Essa emenda, embora não tenha sido aprovada, simbolizou a luta pela democracia no Brasil e a necessidade de uma maior representação feminina nesse processo.

Atuação Além da Política

Mas Lúcia não se limitou apenas à sua atuação política. Em 1975, ela fundou a Legião da Mulher Paraense, uma organização que visava promover os direitos das mulheres e a igualdade de gênero na sociedade. Além disso, Lúcia também se destacou como apresentadora de programas voltados para o público feminino em rádios e canais de televisão locais. Sua voz ressoou em diversos lares paraenses, levando discussões importantes sobre o papel da mulher na sociedade e incentivando muitas a se posicionar e lutar por seus direitos.

Formação Acadêmica e Contribuições

Formada em engenharia civil e arquitetura pela Universidade Federal do Pará (UFPA), Lúcia também foi professora na Escola de Engenharia do Pará durante a década de 1960. Essa formação técnica e acadêmica diferenciada para uma mulher de sua época fez dela uma referência em um campo predominantemente masculino, e sua atuação como educadora inspirou novas gerações de estudantes, especialmente mulheres que buscavam quebrar barreiras em suas carreiras.

Reconhecimento e Legado

A Assembleia Legislativa do Pará (ALEPA) divulgou uma nota em homenagem à ex-deputada, reconhecendo sua importância como uma “pioneira na política brasileira”. A nota destaca que sua atuação foi fundamental para abrir caminhos para gerações de mulheres na política, um legado que continua a inspirar e a motivar novos líderes femininas. A luta de Lúcia Viveiros é um lembrete poderoso de que a mudança é possível e que as vozes das mulheres devem ser ouvidas em todas as esferas da sociedade.

Reflexões Finais

É importante refletir sobre a trajetória de mulheres como Lúcia Viveiros, que não apenas lutaram por seus direitos, mas também pavimentaram o caminho para futuras gerações. Em um cenário onde a representação feminina ainda é um desafio, o legado de Lúcia deve ser uma fonte de inspiração. Que possamos continuar a luta por igualdade e justiça, honrando aqueles que vieram antes de nós e abrindo portas para aqueles que ainda estão por vir.



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