Tenente-coronel assediou e contatou PM após morte de esposa, diz denúncia

Denúncias de Assédio e Feminicídio: O Caso do Tenente-Coronel e a Soldado Gisele

No último dia 30 de abril, uma nova denúncia chocou a opinião pública ao revelar mais detalhes sobre o caso do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, que já estava sob custódia por ser acusado do feminicídio de sua esposa, Gisele Alves Santana. Essa situação complexa não apenas expõe a gravidade do crime em si, mas também traz à tona questões sérias sobre assédio e abuso de poder dentro das forças de segurança.

A Denúncia

De acordo com o documento que chegou à imprensa, no dia 4 de março, apenas duas semanas após a morte da soldado Gisele, Geraldo Leite tentou entrar em contato com uma colega de trabalho, uma soldado da Polícia Militar. Ele queria se justificar sobre o homicídio do qual estava sendo acusado, mas a resposta da policial foi clara: ela pediu que o deixasse em paz, uma vez que estava sendo associada a ele de maneira negativa por conta de suas ações.

O advogado da soldado apresentou uma série de alegações preocupantes. Segundo ele, Geraldo não apenas descobriu o endereço da casa dela, mas também a assediou insistentemente, tentando estabelecer um relacionamento amoroso. Apesar das negativas da policial, ela sentia que ele representava uma ameaça potencial, especialmente após o trágico evento que resultou na morte de Gisele.

O Contexto do Assédio

Conforme a soldado relatou, as tentativas de aproximação por parte de Geraldo começaram no ambiente de trabalho, onde ambos atuavam no mesmo batalhão. Ela mencionou que ele a chamou para uma reunião privada na cozinha do batalhão, onde chegou a oferecer um cargo como secretária particular. O que a deixou ainda mais alarmada foi a divulgação desse convite entre os colegas antes mesmo que ela tivesse a chance de responder.

O tenente-coronel se justificou dizendo que tinha o direito de fazer isso, já que era o comandante e possuía “o poder hierárquico e disciplinar” sobre os demais policiais. A pressão constante fez com que a soldado pedisse transferência para outra função, saindo da administração para o patrulhamento nas ruas, na esperança de se distanciar de Geraldo.

As Táticas de Coerção

Mesmo após a transferência, a soldado relata que as tentativas de contato por parte de Geraldo continuaram. Ele não hesitava em enviar mensagens e fazer ligações, além de procurar a soldado em outras situações, o que incluía até mesmo ir à sua casa. Um episódio marcante ocorreu em agosto de 2025, quando Geraldo soube que a soldado estava na prefeitura e se ofereceu para levá-la até lá, alegando que estaria na mesma área em serviço.

Um mês depois, ele foi até a casa da soldado com um buquê de flores. Ela só percebeu que era ele quando se aproximou, e ao vê-lo, teve um impulso de se afastar. No entanto, Geraldo não hesitou em chamar seu nome em voz alta, o que a deixou ainda mais assustada. Em outra ocasião, ele foi visto novamente no local, agora fardado, o que intensificou o clima de tensão.

A Reação da Comunidade

A situação se tornou ainda mais complexa quando a esposa de Geraldo, Gisele, começou a procurar a soldado após suspeitar de seu comportamento. A soldado compartilhou que Gisele provavelmente já tinha conhecimento das intenções do tenente-coronel, o que levanta questionamentos sobre o ambiente tóxico que permeava a relação entre eles. A denúncia não só revela a luta de uma mulher contra o assédio, mas também destaca a dinâmica de poder que muitas vezes é ignorada.

Uma Questão de Poder e Controle

O tenente-coronel se vangloriava de sua posição de liderança, afirmando que qualquer denúncia contra ele seria manipulada por um policial amigo. Isso demonstra um profundo desrespeito não apenas pela lei, mas também pelas suas colegas de trabalho, criando um ambiente de medo e insegurança dentro da corporação.

A defesa de Geraldo, por sua vez, declarou que não tinha conhecimento das novas denúncias, o que evidencia uma falta de responsabilidade por parte do oficial. A Corregedoria da Polícia Militar também foi contatada, mas não se pronunciou até o momento.

Relembrando o Caso

A soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi encontrada morta em seu apartamento em 18 de fevereiro. O caso, inicialmente tratado como suicídio, evoluiu para um inquérito por feminicídio qualificado. O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, está preso desde março e já foi denunciado pelo Ministério Público.

Este caso ressalta não apenas a tragédia do feminicídio, mas também a importância de ouvir e acreditar nas vítimas de assédio. A luta pela justiça é uma questão coletiva e exige um comprometimento de todos para que situações como essa não se repitam.

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