Análise: Como o Papa Leão XIV resiste à justificativa divina para a guerra

A Mensagem do Papa Leão XIV: Um Clamor pela Paz em Tempos de Conflito

Na noite de terça-feira, 31 de março, um evento marcante ocorreu na histórica cidade de Castel Gandolfo, onde tive a oportunidade de fazer uma pergunta ao Papa Leão XIV. Com a tensão crescente no Oriente Médio e a possibilidade de uma guerra mais ampla, questionei o pontífice sobre uma mensagem que ele poderia transmitir ao presidente Donald Trump e a outros líderes dos Estados Unidos e de Israel. A resposta que recebi foi reveladora e digna de reflexão.

A Esperança de um Acordo

O Papa, que é o primeiro americano a assumir o cargo, respondeu em inglês, expressando seu desejo de que Trump encontrasse uma “saída” para a crise com o Irã. Ele fez um apelo claro pelo fim da violência e pela negociação entre os líderes. É incomum que papas mencionem líderes mundiais diretamente, e este foi um momento significativo, pois foi uma das primeiras vezes que Leão XIV se referiu a Trump publicamente.

A resposta do Papa refletiu o peso que a guerra exerce sobre ele, utilizando uma linguagem que poderia ser facilmente ouvida e compreendida na Casa Branca. Essa interação destacou a nítida diferença entre dois líderes americanos proeminentes no cenário global: de um lado, temos o Papa Leão XIV, um frade agostiniano de Chicago, conhecido por sua natureza gentil e reservada, que evita os holofotes. Do outro, está Donald Trump, uma figura amplamente presente na mídia e um disruptor da política internacional.

Uma Voz de Liderança pela Paz

Embora Leão XIV não seja um papa que busca confrontações, ele tem se pronunciado cada vez mais sobre a guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã. Enquanto isso, Pete Hegseth, o secretário de Defesa americano, tem moldado o esforço de guerra como algo apoiado por Deus, utilizando justificativas que se baseiam em textos sagrados. O Papa, por sua vez, se opõe a essa narrativa. Ele afirmou: “Jesus é o Rei da Paz, que rejeita a guerra, a quem ninguém pode usar para justificar a guerra”. Essa declaração foi feita em um domingo de ramos, dando início à Semana Santa, e deixou claro que ele não escuta as orações daqueles que promovem a guerra.

Leão XIV também fez uso das escrituras, mas, ao contrário de Hegseth, fez isso para ressaltar que aqueles que travam guerras têm as mãos “cheias de sangue”. Em um artigo escrito por Marcello Neri, um teólogo italiano, ele afirmou que o primeiro papa americano se opõe firmemente à lógica da violência, que é muitas vezes justificada em nome de Deus.

A Mensagem da Páscoa

Ao se dirigir aos repórteres após um dia de retiro papal em Roma, o Papa Leão fez um apelo por uma “trégua de Páscoa”, enfatizando sua determinação em ser uma voz de liderança para o fim dos conflitos. Durante a Semana Santa, ele continuou suas chamadas por paz, conversando separadamente com os presidentes de Israel e da Ucrânia. Essa destruição global causada pela guerra nos leva a refletir sobre as ilusões que nos levaram a atacar o Irã.

Reflexões sobre a Moralidade da Guerra

O cardeal Robert McElroy, arcebispo de Washington, expressou seu apoio aos comentários do Papa, lembrando que devemos ter cuidado ao assumir que Deus está sempre ao nosso lado, especialmente em guerras que são moralmente questionáveis. Ele não acredita que a guerra no Irã esteja alinhada com os ensinamentos da Igreja sobre a “guerra justa”, que estabelece critérios rigorosos para um conflito que possa ser considerado moralmente aceitável.

Ecos do Passado

O primeiro ano da Semana Santa de Leão XIV, desde sua eleição em maio passado, ocorre em um momento de grande incerteza mundial. Seu papel, que o colocou sob os holofotes, é algo que ele nunca esperou. A eleição do Papa Leão é vista como um marco, semelhante à eleição do Papa João Paulo II, que também se opôs a guerras em tempos de conflito. Assim como João Paulo II, Leão XIV está sendo ouvido, mas suas mensagens muitas vezes são ignoradas por alguns, especialmente aqueles que apoiam a atual administração.

Aos 70 anos, Leão tem um tempo favorável e, à medida que se aproxima o primeiro aniversário de sua eleição, ele se destaca como uma figura firme e serena em tempos turbulentos. A busca pela paz é mais necessária do que nunca, e o Papa continua a ser uma voz que clama por um mundo livre de guerras.



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