Jovem salva avó e cachorros de soterramento em MG: “Senti nas costas”

Deslizamentos em Juiz de Fora: A Trágica Realidade das Chuvas na Zona da Mata

Nos últimos dias, a região da Zona da Mata mineira foi severamente afetada por chuvas intensas, resultando em uma tragédia que deixou ao menos 40 mortos em Juiz de Fora. A maioria das vítimas perdeu a vida devido a deslizamentos de terra que ocorreram em áreas de encosta, onde a natureza mostrou sua força devastadora.

O Impacto das Chuvas

O bairro Nossa Senhora de Lourdes, localizado na zona sudeste da cidade, foi um dos mais afetados. Davi Ghedim Vitalino, um estudante de 22 anos, teve a infelicidade de ver a casa de sua infância, construída por seus avós há aproximadamente 40 anos, ser destruída em questão de minutos. O imóvel, que ficava na Rua Florentina Garcia, tinha sido um abrigo seguro em sua vida até aquele fatídico momento.

Uma Noite de Pânico

Na noite do deslizamento, por volta das 22h30, Davi estava em casa assistindo televisão com sua avó, de 63 anos, quando a chuva começou a se intensificar. Ele recorda que sua avó sempre teve medo de tempestades, mesmo com o muro de contenção ao redor da casa. Quando a chuva aumentou, ela pediu que Davi verificasse na internet se havia algum alerta meteorológico. A situação rapidamente se tornou crítica.

“De repente, ela disse que a parede tinha vibrado. Eu pensei que tinha batido na mesa sem querer, mas logo percebi que era algo mais sério”, contou Davi em uma entrevista ao Metrópoles. O que se seguiu foram apenas minutos de desespero. Ele percebeu, da varanda, que o cano do vizinho estava expelindo uma quantidade alarmante de barro. “Isso não é normal”, pensou, questionando se algo poderia cair.

O Desabamento

Após cerca de 10 minutos do primeiro tremor, o deslizamento aconteceu. “O barulho foi ensurdecedor, como se tudo estivesse estalando e quebrando. Minha avó largou o copo e começou a correr. Eu não sei de onde tirei forças, mas consegui pegar meus cachorros e descer as escadas, enquanto a terra vinha atrás de mim”, relembra Davi. A casa foi praticamente engolida pela terra, restando apenas a varanda em pé, agora sob risco de desabamento.

Vizinhos também enfrentaram a mesma tragédia. Um morador ficou preso dentro de casa e precisou ser resgatado pelo telhado. Uma cadela que estava soterrada foi salva, mas as perdas foram imensas para Davi e sua avó. No dia seguinte, ao visitar o local, Davi não conseguiu conter as lágrimas. “Eu só chorava. Tudo que tínhamos de lembranças do meu avô estava lá. Minha mãe também já é falecida. Todas as fotos, tudo que ela me deu, ficou debaixo da terra”, lamentou.

Recomeço em Tempos Difíceis

Com a casa destruída, Davi e sua avó estão temporariamente abrigados na casa de familiares. O jovem que sonhava em se formar na faculdade neste ano agora teme pela sua formação, dado o impacto financeiro que a tragédia trouxe. “Eu estava focado nos estudos, mas agora não sei como será”, desabafou. Apesar de tudo, ele enfatiza que o mais importante é que sua avó e seus cachorros saíram ilesos. “O restante, a gente tenta reconstruir”, concluiu.

O Cenário Geral

As chuvas que atingiram Juiz de Fora entre os dias 23 e 24 de fevereiro foram devastadoras. Até o último balanço, o Corpo de Bombeiros registrou 40 mortos e 25 desaparecidos. Os bairros Esplanada, JK, Monte Castelo e Costa Carvalho foram alguns dos locais onde as vítimas foram encontradas. Aproximadamente 3 mil pessoas estão desabrigadas e 400 desalojadas na cidade, enquanto 87 militares estão envolvidos nas operações de resgate.

Os efeitos das chuvas não pararam por aí. Na cidade vizinha de Ubá, também na Zona da Mata, o temporal resultou em seis mortes e duas pessoas desaparecidas. Em meio a essa tragédia, a solidariedade se faz presente, com várias iniciativas sendo organizadas para ajudar aqueles que perderam tudo. Essa situação nos lembra da fragilidade da vida e da importância de estarmos preparados para enfrentar desastres naturais.



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