Análise: Pesquisa Quaest mostra cansaço com Lula e eleição em aberto

Desafios e Perspectivas: A Luta de Lula por um Quarto Mandato

Uma leitura rápida da pesquisa Genial/Quaest, divulgada na última quarta-feira, pode levar à conclusão de que o presidente Lula é o favorito para conquistar um quarto mandato, visto que aparece à frente de seus adversários em simulações de primeiro e segundo turnos. No entanto, os dados revelam uma realidade mais complexa: a eleição está longe de estar decidida, e o maior desafio do PT pode ser o desgaste do eleitorado em relação ao presidente.

O Panorama Atual

Os números falam por si: atualmente, 49% da população desaprova o governo, enquanto 45% o aprovam. A avaliação negativa está em 39%, com apenas 33% considerando a administração positiva. O que é ainda mais preocupante para Lula é o aumento da sua rejeição, que saltou de 49% em janeiro de 2025 para 54% em fevereiro de 2026. Além disso, sua vantagem sobre Flávio Bolsonaro em um possível segundo turno diminuiu de 16 pontos percentuais em agosto de 2025 para apenas 5 pontos agora.

A Reação do Presidente

Embora alguns petistas possam tentar minimizar esses resultados, Lula está ciente das dificuldades que enfrenta. No último sábado, em um discurso realizado em Salvador, ele enfatizou a necessidade de mobilização interna, afirmando que “essa eleição vai ser uma guerra” e que a narrativa política será fundamental para determinar o resultado.

A Questão da Narrativa

Entretanto, o grande desafio reside exatamente na narrativa. A estratégia do marqueteiro Sidônio Palmeira, ao invés de trazer algo inovador, parece reforçar o desgaste que Lula já representa. A abordagem continua a mesma que garantiu ao PT várias vitórias presidenciais: um pacote de benefícios com alto custo fiscal e a defesa de justiça social através de conflitos de classes. Contudo, o Brasil de hoje é diferente.

O Novo Eleitor

O eleitor que realmente faz a diferença já não é, em sua maioria, o de baixa renda — este ainda continua a apoiar Lula. O voto decisivo agora reside na classe média, no eleitor moderado que almeja um Estado menos burocrático e mais eficiente para ascensão social. E, ironicamente, um Estado forte, que é uma das bandeiras do PT, não parece ser o que essa nova classe busca atualmente.

Os Números Não Mentem

  • Entre os que ganham de 2 a 5 salários mínimos, 50% desaprovam o governo, enquanto 44% o aprovam.
  • A base tradicional de Lula, que é a população de baixa renda, ainda o apoia, mas o eleitorado da classe média se mostra distante.
  • O eleitorado mais abastado, por sua vez, apresenta uma postura bastante hostil em relação ao presidente.

Uma Reflexão Necessária

A conclusão que se pode tirar é clara: Lula, aos 81 anos, não está oferecendo uma visão de futuro — ele se apega ao passado. O eleitor não vai às urnas pensando no retrovisor. Ele observa o que o governo atual tem entregado e não se sente satisfeito, e percebe que o que Lula promete para um eventual quarto mandato se assemelha muito ao que já foi oferecido. A pesquisa revela que 42% dos entrevistados consideram este governo pior que os anteriores e 57% acreditam que ele não deve continuar como presidente.

Possibilidades de Vitória

Apesar disso, Lula ainda pode vencer — não por sua força, mas pela fraqueza de seus adversários. Flávio Bolsonaro está se consolidando como a principal figura da oposição, em um esforço para se distanciar da imagem do ex-presidente Jair Bolsonaro, enquanto Ratinho Júnior aparece como uma opção liberal e moderada. A direita precisa decidir se se unirá ou se fragmentará no primeiro turno, o que pode ser decisivo para o segundo turno.

Um Jogo Duplo

Estamos diante de duas eleições em uma: o primeiro turno atuará como primárias para a direita, enquanto o segundo será o tradicional embate entre esquerda e direita. Para que Lula e sua equipe de marketing sejam bem-sucedidos, precisarão ir além da estratégia atual. Já a direita, se conseguir manter a unidade no primeiro turno, poderá se apresentar como uma força forte e competitiva no segundo.



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