Jovem confirma ao CNJ denúncia de assédio contra ministro do STJ

Acusações de Assédio Contra Ministro do STJ: Jovem Reafirma Denúncia em Depoimento

No dia 5 de outubro, uma jovem de apenas 18 anos voltou a falar sobre um episódio que a deixou abalada. Ela havia denunciado o ministro do STJ, Marco Buzzi, por assédio durante uma viagem a Balneário Camboriú, em Santa Catarina, no mês de janeiro. Em um depoimento que durou mais de duas horas, realizado presencialmente em São Paulo e acompanhado por magistrados da Corregedoria do CNJ, a jovem reafirmou todas as acusações que já havia feito antes à Polícia Civil, acrescentando detalhes que tornam a situação ainda mais preocupante.

O Contexto da Denúncia

A jovem é filha de amigos próximos do ministro, o que torna a situação ainda mais complexa. Durante a viagem, Buzzi teria tentado agarrá-la enquanto ela estava no mar, em três ocasiões distintas. Segundo o relato dela, a primeira tentativa ocorreu enquanto ela se divertia com amigos, e, após as investidas, ela ficou tão assustada que decidiu procurar seus pais imediatamente. Os pais, alarmados com a situação, retornaram a São Paulo logo em seguida e registraram um boletim de ocorrência. Além disso, a denúncia foi formalmente apresentada ao CNJ, o que indica a seriedade com que a família tratou o assunto.

O Depoimento

O depoimento da jovem foi considerado crucial, uma vez que envolveu uma série de testemunhos e detalhes sobre o que realmente ocorreu. Ela confirmou a versão anterior apresentada à polícia e ainda trouxe novas informações que podem ser determinantes para a investigação. O fato de ter feito isso na presença de magistrados da corregedoria demonstra a seriedade e a gravidade da situação, além do peso que a denúncia carrega.

A Reação do Ministro e a Situação no STJ

Marco Buzzi, por sua vez, nega todas as acusações e se diz “surpreendido” com a gravidade da denúncia. Ele afirma que nunca teve a intenção de assediar a jovem e que a acusação é infundada. Em resposta à situação, uma sindicância foi aberta no STJ para investigar as circunstâncias que cercam o caso. É importante ressaltar que, nesta quinta-feira, o ministro não participou da sessão do tribunal, apresentando um atestado médico que justifica sua ausência. No entanto, não foram divulgadas informações sobre sua condição de saúde ou o tempo estimado para sua recuperação.

Implicações para o Judiciário

Fontes dentro do STJ indicaram que o afastamento de Buzzi pode ser visto como uma estratégia para proteger a imagem da instituição, especialmente em um momento em que o Judiciário enfrenta críticas e desconfianças acerca de sua atuação. A situação é delicada, já que a confiança da população nas instituições é fundamental para a manutenção da ordem e da justiça. Mesmo assim, muitos acreditam que Buzzi dificilmente conseguirá evitar uma punição severa, como a aposentadoria compulsória, que é aplicada em casos de infrações funcionais, permitindo que o juiz mantenha parte de seu salário, proporcional ao tempo de contribuição.

Reflexões Finais

Esse caso é um lembrete sobre a importância de tratar denúncias de assédio com a seriedade que merecem. É fundamental que vítimas sintam-se apoiadas e seguras ao falarem sobre suas experiências, e que o sistema judicial responda de maneira justa e eficaz. A luta contra o assédio é uma questão que vai além de um único caso; é uma batalha pela dignidade e respeito que todos merecem. O desenrolar deste caso poderá trazer à luz não apenas a verdade, mas também mudanças necessárias nas estruturas que cercam o Judiciário e a proteção das vítimas.



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