Líder supremo do Irã alerta políticos dos EUA: “Parem com a enganação”

Tensões no Irã: Ameaças e Protestos Marcam o Cenário Atual

Recentemente, o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, fez um pronunciamento contundente, direcionando críticas aos políticos americanos. Ele pediu que eles “parassem com a enganação” e não confiassem em pessoas que considerou como “mercenários traiçoeiros”. Essa declaração foi veiculada pela emissora estatal IRIB, na segunda-feira (12), e reflete um clima de crescente tensão internacional.

Khamenei, além de criticar os EUA, expressou gratidão aos cidadãos iranianos que saíram às ruas em apoio ao regime durante os protestos do dia. Segundo ele, essas manifestações foram cruciais para frustrar planos externos que visavam desestabilizar o país. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, também se manifestou, atribuindo a instabilidade no Irã a “terroristas” que agem sob influência externa. Ele acusou manifestantes de atos de vandalismo, como incendiar bazares, mesquitas e locais de importância cultural, o que, segundo ele, só contribui para a desordem.

Contexto das Manifestações

Os protestos que aconteceram recentemente no Irã são considerados um dos maiores desafios ao regime clerical desde a Revolução Islâmica de 1979. A população, insatisfeita com a situação econômica e a repressão política, tem se mobilizado em várias cidades, exigindo mudanças. A resposta do governo tem sido a repressão violenta, levando a um aumento das tensões entre o regime e os cidadãos.

Na mesma linha, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou que o país está “preparado para a guerra”, mas também “pronto para negociações”. Essa dualidade nas declarações reflete a complexidade da situação atual, onde o regime se vê pressionado tanto por dentro quanto por fora. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por sua vez, tem avaliado possíveis respostas à repressão nos protestos e até se mostrou disposto a dialogar com os iranianos.

Reações Internacionais e Acusações

Trump, em um pronunciamento no domingo (11), indicou que os EUA poderiam se reunir com autoridades iranianas e que mantêm contato com a oposição. Enquanto isso, ele intensifica a pressão sobre os líderes iranianos, inclusive com ameaças de uma ação militar, caso a violência contra os manifestantes não cesse.

As autoridades iranianas, por sua vez, têm acusado os EUA e Israel de incitarem os distúrbios. Como resposta, convocaram uma manifestação nacional para o dia 12, com o objetivo de condenar o que chamaram de “ações terroristas lideradas pelos Estados Unidos e Israel”. Araqchi, em sua fala, destacou que a situação no Irã estava sob “controle total”, apesar do aumento da violência associado aos protestos no fim de semana.

Impactos da Violência e a Guarda Revolucionária

Um dos pontos que mais preocupam a população iraniana é a crescente insatisfação em relação à Guarda Revolucionária, uma instituição poderosa e influente no país. Os interesses econômicos dessa guarda, que abrangem setores como petróleo, gás, construção civil e telecomunicações, são estimados em bilhões de dólares. Essa relação entre economia e política tem gerado um ressentimento crescente, visto que muitos acreditam que os recursos estão sendo mal utilizados em prol de interesses pessoais e não do bem-estar da população.

As declarações do governo e a resposta da população estão interligadas em um ciclo que se retroalimenta. A repressão gera mais revolta, e a revolta, por sua vez, provoca uma resposta ainda mais dura por parte do governo. Consequentemente, o futuro do Irã continua incerto, com a população dividida entre o desejo de mudança e o medo das consequências dessa mudança.

Reflexões Finais

Diante desse cenário complexo, é evidente que o Irã se encontra em um momento crucial. As tensões internas e externas exigem atenção e uma abordagem cuidadosa. O que se pode observar é que, em meio a um contexto de descontentamento, a luta por direitos e liberdade continua. As vozes dos iranianos que se levantam em protesto são um lembrete poderoso de que a busca por justiça e equidade é uma demanda universal.



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