Tragédia em Crans-Montana: Incêndio em Bar Levanta Questões sobre Segurança Pública
Recentemente, a cidade suíça de Crans-Montana se viu abalada por um incêndio devastador que resultou em trágicas perdas de vidas. O prefeito Nicolas Féraud, durante uma coletiva de imprensa, expôs a situação alarmante da segurança em estabelecimentos públicos na cidade, onde a lei exige que o serviço de segurança municipal realize visitas anuais. Porém, ele admitiu que a falta de recursos impediu que essa norma fosse cumprida de forma adequada.
As Inspeções e o Bar Le Constellation
O bar Le Constellation, que foi consumido pelas chamas na noite de Ano-Novo, havia passado por inspeções em 2016, 2018 e 2019. Nessas ocasiões, a prefeitura exigiu que ajustes fossem feitos para atender às normas de prevenção contra incêndios. No entanto, as vistorias não identificaram problemas nas instalações elétricas ou nos equipamentos de som, o que agora levanta questionamentos sobre a eficácia desses procedimentos.
O prefeito Féraud revelou que, de 2020 até 2025, não houve controles periódicos, uma situação que ele lamentou profundamente. Ele expressou sua perplexidade sobre o motivo pelo qual as inspeções não foram realizadas, afirmando: “Estamos profundamente consternados, não temos resposta hoje”. Essa falta de fiscalização pode ter contribuído para a tragédia, e agora a justiça irá investigar a influência dessa falha na sequência de eventos que culminou no incêndio.
As Consequências do Incêndio
O incêndio no bar Le Constellation não apenas causou a destruição do local, mas também resultou na morte de 40 pessoas, a maioria jovens e adolescentes. O bar, que pertence a um casal francês, Jacques e Jessica Moretti, tornou-se o alvo de investigações, com acusações de homicídio culposo e incêndio por negligência pairando sobre os proprietários. Apesar da gravidade das acusações, eles não foram colocados em prisão preventiva, o que gerou questionamentos sobre a natureza da investigação.
As causas do incêndio foram atribuídas a velas decorativas que, ao serem colocadas em garrafas de champanhe, acabaram incendiando o teto do subsolo do bar, que era revestido com espuma acústica. A situação se agravou, pois os clientes, predominantemente jovens, ficaram presos no local. A investigação ainda precisa averiguar se a instalação de espuma acústica estava em conformidade com as normas de segurança.
Alertas Ignorados
Curiosamente, vídeos exibidos pela televisão suíça mostraram que não era a primeira vez que essas velas eram usadas no bar, e que o perigo era conhecido. Um funcionário do estabelecimento havia alertado sobre os riscos da espuma acústica há seis anos, mas, aparentemente, esse alerta não foi suficiente para que medidas fossem tomadas. O prefeito Féraud lamentou a falta de comunicação, desejando que tivessem sido alertados sobre o perigo, pois teriam agido imediatamente.
Responsabilidades e Medidas Futuras
Féraud, visivelmente abalado, declarou que a prefeitura assumirá a responsabilidade que a justiça determinar, embora tenha sido questionado sobre a possibilidade de renunciar ao cargo. Ele reafirmou que “não se abandona um navio no meio da tempestade”, refletindo a sua determinação em enfrentar a crise.
Como resposta à tragédia, a prefeitura anunciou duas medidas imediatas: a contratação de uma empresa externa especializada para revisar a segurança e os materiais de todos os estabelecimentos da cidade, e a proibição total do uso de artefatos pirotécnicos em locais fechados. Essas ações visam não apenas evitar que incidentes semelhantes ocorram no futuro, mas também restaurar a confiança da população nas autoridades locais.
O Impacto nas Famílias e a Investigação
A tragédia teve um impacto profundo nas famílias afetadas, especialmente considerando que nove das 40 vítimas eram de nacionalidade francesa. A França já iniciou um inquérito para apoiar as famílias durante as investigações conduzidas pelas autoridades suíças, demonstrando a seriedade do caso. A dor das famílias que perderam entes queridos é indescritível, e muitos carregam essa tristeza eternamente.
Enquanto a investigação avança, fica a lição sobre a importância da segurança em locais públicos e a necessidade de fiscalização rigorosa. Espera-se que essa tragédia não seja apenas um triste marco na história de Crans-Montana, mas um catalisador para mudanças significativas nas políticas de segurança pública.