Deputados da reforma administrativa votam a favor de penduricalho no TCU

Reforma Administrativa: Um Olhar Crítico Sobre os Privilégios no Serviço Público

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Reforma Administrativa está gerando muitas discussões e polêmicas no cenário político atual. Um dos capítulos mais controversos dessa proposta é a chamada “extinção de privilégios” no funcionalismo público. No entanto, é interessante notar que a maioria dos deputados que formou o grupo de trabalho responsável pela elaboração dessa proposta acabou votando a favor de um novo benefício, que pode ser considerado um “penduricalho” para os servidores do Tribunal de Contas da União (TCU). Isso ocorreu na quarta-feira, dia 26, quando o plenário da Câmara aprovou o PL 2829/25, que estabelece que os servidores do TCU terão direito a um dia de licença para cada três dias trabalhados. Essa licença, que poderá ser convertida em dinheiro, levanta questões sobre a verdadeira intenção da reforma.

O Que é a Licença Compensatória?

A licença compensatória, como é chamada essa nova regra, traz alguns pontos interessantes. Primeiro, é importante destacar que essa folga não será sujeita à cobrança de Imposto de Renda e não precisará seguir o teto salarial que é normalmente aplicado aos servidores públicos. De acordo com estimativas feitas por consultores legislativos, os salários dos funcionários do TCU podem ultrapassar a marca de R$ 90 mil mensais, o que levanta preocupações sobre a equidade no serviço público.

A Gênese da PEC da Reforma Administrativa

A PEC da Reforma Administrativa foi apresentada pelo deputado Pedro Paulo, do PSD do Rio de Janeiro, e é o resultado de um trabalho coletivo de um grupo de 18 parlamentares que atuaram por 45 dias sob a coordenação do próprio Pedro Paulo. O texto da proposta prevê diversas restrições em relação aos chamados supersalários, como a proibição da incorporação de adicionais às remunerações e limitações na conversão de licenças em dinheiro. Entretanto, mesmo com essas travas, o fato de que dez dos dezoito integrantes do grupo de trabalho tenham votado a favor de um benefício que favorece os servidores do TCU gera questionamentos sobre a eficácia da proposta.

Quem Votou a Favor e Contra?

  • Votaram a favor: Alice Portugal (PCdoB-BA), Áureo Ribeiro (Solidariedade-RJ), Fausto Jr. (União-AM), Julio Lopes (PP-RJ), Neto Carletto (Avante-BA), Pedro Campos (PSB-PE), Pedro Uczai (PT-SC), Professora Luciene (PSOL-SP), Reginaldo Veras (PV-DF), Túlio Gadêlha (Rede-PE).
  • Votaram contra: Pedro Paulo (PSD-RJ), Any Ortiz (Cidadania-RS), Dr. Frederico (PRD-MG), Marcel Van Hattem (Novo-RS), Zé Trovão (PL-SC).

Além disso, três deputados estavam ausentes na sessão que deliberou sobre o texto, o que pode ter influenciado o resultado da votação.

O Papel do Relator e as Conexões Políticas

O relator do projeto de lei, Odair Cunha, do PT de Minas Gerais, é uma figura que merece destaque nesse contexto. Ele é considerado um dos principais candidatos a assumir a vaga no TCU que será aberta com a aposentadoria do ministro Aroldo Cedraz, prevista para o primeiro semestre de 2026. Vale ressaltar que o apoio do PT à candidatura de Hugo Motta, do Republicanos da Paraíba, à presidência da Câmara, estava atrelado à promessa de que um integrante do partido, possivelmente Cunha, ficaria com a vaga no TCU. No entanto, a validade desse acordo tem sido questionada por diversos parlamentares, que agora anunciam suas intenções de concorrer à vaga deixada por Cedraz.

Reflexões Finais

Essa situação nos leva a refletir sobre o verdadeiro significado da reforma administrativa e o que ela realmente representa para a sociedade. Será que a extinção de privilégios é, de fato, um objetivo sincero, ou estamos apenas assistindo a uma troca de favores políticos? A sociedade merece respostas claras e um comprometimento verdadeiro com a transparência e a justiça no serviço público.

Se você se interessa por temas relacionados à política e deseja acompanhar mais sobre a PEC da Reforma Administrativa, não hesite em deixar seus comentários ou compartilhar suas opiniões. O diálogo é fundamental para construirmos um futuro melhor!



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