Justiça proíbe posto de obrigar frentistas a usarem legging e cropped em PE

Decisão da Justiça do Trabalho em Recife: O Fim de um Uniforme Controverso

Recentemente, uma decisão da Justiça do Trabalho trouxe um alívio significativo para frentistas mulheres que trabalham em um posto de combustíveis localizado no bairro de Afogados, na zona oeste do Recife, Pernambuco. A juíza Ana Isabel Guerra Barbosa Koury, em uma liminar assinada na última sexta-feira, 7 de outubro, determinou que a empresa suspendesse imediatamente a exigência de que suas funcionárias usassem calça legging e camiseta cropped como parte de seu uniforme. Essa decisão foi divulgada pelo Tribunal Regional do Trabalho da 6ª Região (TRT-6) na quarta-feira, 12 de outubro.

A Importância da Dignidade no Ambiente de Trabalho

A juíza Koury ressaltou que a imposição de um uniforme que sexualiza o corpo feminino não só é imprópria, mas também gera constrangimento e vulnerabilidade entre as funcionárias. Em suas palavras, a roupa de trabalho deve assegurar segurança, higiene e, acima de tudo, o respeito à dignidade do trabalhador. A análise realizada pela magistrada foi baseada no Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que enfatiza a importância de um ambiente de trabalho livre de discriminação e assédio.

Uniformes Adequados e as Consequências do Descumprimento

Além de proibir o uso dos uniformes considerados inadequados, a decisão judicial também impôs à empresa o dever de fornecer uniformes apropriados, como calças de corte reto e camisas de comprimento padrão, em um prazo máximo de cinco dias. Caso a empresa não cumpra essa determinação, uma multa diária de R$ 500 será aplicada para cada funcionária que continuar a usar os trajes inadequados. Essa medida é uma forma de garantir que as funcionárias não sofram mais constrangimentos enquanto desempenham suas funções.

O Papel do Sindicato na Luta por Direitos

A ação que resultou nesta decisão foi movida pelo Sinpospetro-PE, que representa os empregados em postos de combustíveis e estabelecimentos afins. O sindicato alegou que a exigência do uniforme não apenas violava a convenção coletiva da categoria, mas também expunha as trabalhadoras a situações de assédio e constrangimento. Através dessa ação, o sindicato demonstrou seu compromisso em defender os direitos das funcionárias e garantir um ambiente de trabalho mais justo e respeitoso.

A Urgência da Decisão Judicial

A urgência da medida foi enfatizada pela juíza, que observou que a cada dia que passa, a vulnerabilidade e o constrangimento das funcionárias se prolongam. Essa situação não é incomum em muitos ambientes de trabalho, onde as mulheres ainda enfrentam padrões estéticos que colocam suas dignidades em risco. A luta por um ambiente de trabalho mais igualitário e respeitoso continua, e essa decisão é um passo importante nesse sentido.

Reflexões Finais

Essa decisão da Justiça do Trabalho em Recife é um exemplo claro de como a legislação pode ser utilizada para proteger os direitos dos trabalhadores e garantir a dignidade no ambiente de trabalho. O caso também nos leva a refletir sobre as práticas de uniformização em diversas profissões e a necessidade de um olhar mais atento às questões de gênero. A luta por igualdade e respeito no trabalho é contínua, e decisões como essa ajudam a fortalecer essa causa.



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